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JEAN MENDES (Luthier) É NECESSÁRIO PENSAR NO INSTRUMENTO INTEGRALMENTE.

1) CONTE-NOS UM POUCO SOBRE SUA HISTÓRIA, ONDE NASCEU, ONDE MORA, ETC.
Nasci em Florianópolis, Santa Catarina. Mudei pra São Paulo onde fui criado. Desenvolvi paixão e interesse pela arte aos nove anos (artes plásticas, pintura de tela, desenho)Tive apoio incondicional da família e me formei em Artes Plásticas (Licenciatura). Trabalhei com artes gráficas até pouco tempo atrás, mais especificamente como Designer Gráfico.
Em 2003, mudei para Mococa, interior de São Paulo, onde moro e onde fica a Luthieria.

2) COMO INICIOU SUA CARREIRA COMO LUTHIER?
Comecei a me interessar pela música aos 14 anos, através do amigo Daniel, que tocava violão. Meu pai me apoiava nas artes, mas não via com bons olhos essa história de ser músico, tocar.
Como não podia comprar um instrumento, decidi eu mesmo construir um, assim teria apoio do meu pai (que acabou me ajudando) pois estaria praticando arte. Daniel e eu fizemos um baixo e uma guitarra. Fomos comprar trastes de violão numa loja. O vendedor perguntou: “o que vão fazer com trastes?” Informamos da nossa ideia e ele disse: “vocês colocaram tensor?’” Olhamos um pro outro e falamos: “o que é tensor?” (rs rs rs).
Tínhamos boa vontade, mas nenhuma experiência. A partir daí (com 15 anos) comecei a construção de instrumentos paralelamente ao trabalho gráfico.
Até me dedicar totalmente a Luthieria, especificamente ao Contrabaixo.

3) VOCÊ TOCA ALGUM INSTRUMENTO OU JÁ ESTUDOU MÚSICA? QUE INSTRUMENTOS VOCÊ CONSTRÓI?
Sou baixista com muita vontade e paixão. Estudei um pouco mais o contrabaixo acústico, por ser um instrumento complexo. Hoje toco na igreja. Fiz algumas guitarras e violões, mas de alguns anos pra cá, venho me dedicando a tudo que diz respeito ao contrabaixo elétrico.

4) QUE CURSOS SÃO NECESSÁRIOS PARA SE TORNAR UM LUTHIER?
Acredito mais na experiência. Eu não tive aulas ou trabalhos em oficinas. Foi na raça mesmo. Mas o curso pode ser um bom início. Existe muita gente fera, com cursos feitos por pessoas sérias. O acesso à informação facilita, pelo estudo mais focado.

O luthier construtor deve ser um excelente guitartech (entender de regulagem). Precisa de conhecimento de madeira, marcenaria, ferragem, materiais eletrônicos. É necessário pensar no instrumento integralmente.

5) QUAIS HABILIDADES UM LUTHIER DEVE DESENVOLVER?
É uma tarefa multidisciplinar. O luthier construtor deve ter conhecimento de maneira geral. O projeto é o ponto de partida para um bom instrumento.

6) QUAIS SÃO OS MELHORES MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO DE CONTRABAIXOS?
A matéria prima vem passando por uma diminuição de qualidade. Mesmo assim, o acesso a produtos importados está mais fácil. Na contramão, acredito muito na madeira brasileira, uma das melhores do mundo. Trabalho exclusivamente com a brasileira, obtendo bons resultados na construção, peso e sonoridade.

Temos vastíssima opção de fabricantes, peças e preços, com todo tipo de qualidade: da péssima até a ultra hard excelente.
A gente consegue fazer projetos de diversos níveis.

7) O QUE É IMPORTANTE VERIFICAR NA ESCOLHA DOS MATERIAIS?
Se o projeto for bem desenvolvido, e fizer alguns testes antes, já está no bom caminho.
Assim terá parâmetros e limites para seguir, como por exemplo, a densidade da madeira do corpo.
Consegue-se fazer um padrão de seleção do material:
mistura de tipos de madeiras para o braço, etc.

No conjunto vai desde a tampinha da parte elétrica, do escudo, trastes. Pode-se guiar pela experiência de peças já construídas, até recorrer aos clássicos.

8) EQUIPAMENTOS PRINCIPAIS NUMA LUTHIERIA
A gente pode construir as próprias ferramentas. Em geral, os equipamentos principais são: uma boa bancada, kit de alicates (para trabalhar com trastes), martelos, várias chaves fixas, de boca ou cachimbo, leitor de tensores, bom afinador, óleo mineral.
Na oficina, serra fixa e lixadeiras tupi e manual, furadeira.
Meu primeiro instrumento fiz com uma serra tico-tico e uma furadeira (rs rs rs). Não é a ferramenta que faz o luthier.

9) COMO VOCÊ VÊ SUA CATEGORIA PROFISSIONAL NO BRASIL?
Impressionante o nível que chegamos aqui. Numa Feira que participei, havia um espaço dedicado aos luthiers, vi que a gente não perde para gringo nenhum. Acredito que o caminho é promissor.

10)QUE CONSELHOS DARIA PARA QUEM TAMBÉM QUER SE AVENTURAR COMO LUTHIER?
O primeiro conselho é: FAÇA. O acesso à informação hoje é muito fácil. Se tiver oportunidade, procure um bom curso que lhe dê informações de verdade. E claro, nunca deixar de buscar novos conhecimentos. O aprendizado éconstante, diário. Às vezes nos deparamos com problemas que nunca tivemos antes. Então, estudar sempre. Em vez de ficar na teoria e na discussão: FAÇA!!

11)COMO VOCÊ VÊ A INICIATIVA DO TOQUE MAIS BAIXO, NO ENSINO ONLINE DO CONTRABAIXO?
Vejo com muita alegria. Espetacular o trabalho do Raphael. Nós acompanhamos desde o início, vimos este projeto pioneiro nascer. Uma história que serve de exemplo.

VIDA LONGA AO TOQUEMAISBAIXO!!

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

 

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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