BEATRIZ LIMA (Banda Soul Por Elas) – VERSATILIDADE MUSICAL PARA O MERCADO DE TRABALHO É O MAIS IMPORTANTE

UM POUCO SOBRE SUA HISTÓRIA
Sou Beatriz Lima, baixista, tenho 24 anos nasci na cidade de São Paulo. Vivi durante muitos anos na região do Butantã próximo à Raposo Tavares. Hoje moro no centro de Osasco.

COMO COMEÇOU SUA CARREIRA NA MÚSICA E NO CONTRABAIXO?
Venho de uma família muito humilde, onde ser músico não estava nos planos de carreira profissional.Comecei a tocar violão na igreja, aos 13 anos, através de um grupo
de jovens. Meu primeiro contato com o baixo foi aos 17 anos, também na igreja. Realmente não gostava por achar um instrumento “masculino” e sem “funções”, das quais não entendia na época.
Me encantei com o baixo através de pesquisas na internet, onde conheci uma infinidade de baixistas mulheres que tocavam muito bem, dentre elas: Divinity Roxx e Rhonda Smith.

Com muita força de vontade e ainda sem instrumento próprio, passei na escola de música do estado de São Paulo (ULM), onde estudei durante seis anos o contrabaixo elétrico, com Gabriel Bahlis e Itamar Collaço, grandes instrutores e amigos.

MAIOR OBSTÁCULO QUE JÁ ENFRENTOU NA CARREIRA
Decidir que realmente seguiria a música como profissão, foi um grande obstáculo! Até o último ano do ensino médio, estava prestando os vestibulares para História e Biologia. No meio deste caminho fiquei muito doente e perdi várias provas e segundas fases.

Após esse “desafio” com a saúde, me vi percorrendo outro caminho, e acabei prestando prova de última hora para Música, em uma Faculdade particular (FAAM), outro grande desafio, pois não tinha como pagar. Ganhei uma bolsa que me ajudou muito, mas precisava suprir a outra parte, então comecei a ministrar aulas de musicalização infantil, violão e guitarra. Assim fui conseguindo pagar a faculdade.

QUAIS SUAS MAIORES INFLUÊNCIAS MUSICAIS?
R: Da mesma forma como de início não gostava do baixo elétrico, nunca imaginei que minhas maiores influências musicais (hoje em dia), seriam a música brasileira e instrumental. Nomes como: Chick Corea, Hermeto Pascoal, Wayne Shorter, Tom Jobim, Chico Buarque e tantas outras que me inspiram e me ajudam na identidade musical. E, é claro que ouvi muito rock na adolescência – Paramore, Oficina G3 e Black Label Society.

Atualmente acredito que quanto mais temos essa versatilidade musical, melhor para nos colocarmos no mercado da música, além de ser muito importante conseguir articular com os diversos estilos musicais.

VOCÊ AINDA VÊ RESISTÊNCIA ÀS MULHERES MUSICISTAS, PRINCIPALMENTE NO CONTRABAIXO?
R: Apesar de nós mulheres estarmos conseguindo cada vez mais entrar neste universo da música, e especificamente no contrabaixo, ainda há muita resistência nos olhares e na credibilidade. Tem pessoas que precisam realmente ver e testar para crer em nossas habilidades. As bandas femininas vêm crescendo, como por exemplo as duplas sertanejas. Contudo, quem as acompanham nos palcos são majoritariamente os homens.

HABILIDADES UM BOM MÚSICO
R: Um bom músico precisa ser sensível, ter bom senso para se adequar às diversidades dos trabalhos. Ser estudioso e paciente consigo mesmo, estudar as variadas técnicas de seu instrumento, e procurar sempre se atualizar com o desenvolvimento das tecnologias.

UMA EXPERIÊNCIA MARCANTE QUE JÁ TEVE NA CARREIRA
Com 18 anos fiz um sub para amiga (também contrabaixista) no estado do Espírito Santo. Nunca tinha viajado de avião. Foi muito emocionante porque achava que voar era um fato muito distante para minha realidade de vida. Neste show estudei muito as músicas, não sabia improvisar ainda e tinha um solo para fazer, estudei muito mesmo! No momento do solo, improvisei como nunca e fiquei muito feliz com isso. Era um show gospel, e após terminá-lo, muitos vieram me parabenizar. Um dos pastores disse que em um momento da apresentação, viu uma luz forte sobre mim. Isso me emocionou muito, pois sou religiosa e sabia que Deus estava ali me ajudando [e como precisava (rs)]. Esse momento foi realmente especial e inesquecível!

QUAL O SEU SETUP?
R: Uso um setup bem básico: Um pedal de efeitos ME-50B – Boss e um RC-3 Loop Station – Boss. Em geral acabo usando o baixo bem natural e sem efeitos. Depende bastante da proposta do som. Uso amplificador Peavey.

QUAIS OBJETIVOS AINDA PRETENDE ALCANÇAR?
R: Gostaria de conseguir alcançar mais pessoas para mostrar meu trabalho. Um outro grande sonho é gravar o meu CD autoral de música instrumental.

O QUE ACHA DE INICIATIVAS COMO A DO TOQUE MAIS BAIXO, NO ENSINO ONLINE DO CONTRABAIXO?
R: Muito interessante a iniciativa! Acredito que a tecnologia está aí para nos ajudar, e fazer com que o estudo musical seja acessível a todos, de qualquer canto do mundo.

 

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

 

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

    1 Comentário

  1. Lucio alves
    junho 11, 2019

    otima entrevista!como sempre mais uma vez a Vilma nos surpreendendo.Parabéns Vilma.

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