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Júlio Cezar (Banda Catedral) – “Compositor é um canal ouvindo coisas que outros não conseguem”

1) Conte-nos um pouco sobre sua história, onde nasceu, onde mora, etc.

R: Nasci no Rio de Janeiro na Baixa da Fluminense em 10 de maio de 1972, mais precisamente em Nova Iguaçu, cidade que fica ao lado de Nilópolis, essa sim cidade onde cresci, me casei e moro até hoje!

 

2) Como começou sua carreira na música e no contrabaixo?

R: Comecei na música bem novo, mais ou menos com uns 5 anos estudando piano clássico. Estudei alguns anos e vi que aquele instrumento não era o meu. Depois do piano, aprendi de ouvido um pouco de violão e bateria. Enquanto isso meus irmãos montaram uma banda e participavam de alguns festivais aqui mesmo em Nilópolis. Um dia essa banda teve uma apresentação em São Paulo, onde o cachê era um baixo e uma guitarra. Meu irmão Cezar já era o guitarrista dessa primeira banda e meu irmão Kim o cantor, quando chegaram em casa com os instrumentos o meu irmão Kim olhou para o baixo e disse que não queria saber daquele instrumento, virou para mim e disse – Quer pra você?, Eu disse – Quero!!! Daí pra cá nunca mais nos separamos…

 

3) Quais os principais trabalhos na área musical que fez e faz atualmente?

R: Toda a discografia da Banda Catedral da qual faço parte e sou integrante desde a fundação, como músico e como produtor musical de alguns trabalhos, como o último CD “No Mundo Do Extremamente Permitido”, também de toda a discografia solo do cantor (e também meu irmão) Kim como músico e também como produtor musical dos últimos trabalhos (Incluindo DVDs de ambos). Também tenho uma carreira instrumental que deu origem com o CD “Duo Project” que fiz com meu irmão Cezar (in memorian), talvez esse seja o CD instrumental de maior
repercussão na história da música Gospel! (Na época esse tipo de CD não era muito comum). Também atuei como músico em CDs de alguns cantores Gospel, e trabalhei com o produtor Carlos Trilha em um arranjo para ser tocado por outros músicos no Prêmio Multishow. Hoje retomei minha carreira instrumental e você pode curtir nas mídias o CD “Only For You” meu novo trabalho que teve início em uma brincadeira com um pedal de loop… Também fui o idealizador e fundador junto com meu irmão da “JCM School Of Music” aqui em Nilópolis, escola que funcionou durante muitos anos e se tornou uma referência no ensino de música na baixada fluminense. Fechei a escola depois da perda do meu irmão e resolvi lançar meu material de ensino que desenvolvi durante os mais de 20 anos em que dei aulas. Transformei esse material à princípio em dois livros que são o “Curso Completo De Contrabaixo Pizzicato” e o “Curso Completo De
Contrabaixo Slap Secrets” os dois acompanhados de CDs são a soma dos níveis básico, intermediário e avançado que lecionava na minha antiga escola de música…

 

4) Como a Banda Catedral conseguiu se manter unida todos esses anos, com músicas que agradam a todas as idades, classes e estilos?

R: Acho que para você se manter junto com alguém durante muito tempo os fatores principais são, o respeito, a admiração e a verdade com quem você está dividindo essa caminhada.
E é exatamente isso que existe entre nós da Catedral, nos respeitamos e admiramos uns aos outros, muito mais do que como músicos e sim como seres humanos. Até hoje, depois de 30 anos de carreira quando damos entrada em algum hotel às vezes sentamos na recepção para batermos um papo e quando vamos ver já se passaram horas! Na questão das músicas, eu penso que “nós compositores” somos apenas uma espécie de “canal condutor” alguém com uma percepção especial que consegue ouvir as melodias que estão em toda a parte, e muitos não percebem, só que nós conseguimos percebê-las e assim as fazemos ficar audíveis para todas as pessoas… No caso da Banda Catedral, o Kim e eu somos os compositores, ele faz as músicas lá em Belém onde mora e eu
aqui no Rio. Quando ele termina, ele me manda as músicas pelo Whats e eu começo a produção das faixas no meu estúdio. As minhas eu também mando para ele colocar as letras, afinal ele escreve todas as letras da Banda Catedral desde o primeiro LP…

5) Como é seu processo de composição? É verdade que já fez músicas até dormindo?

R: Não tenho muito essa questão de horário específico para compor e dispenso formulas para tal! Gosto de fazer as coisas com sentimento, parar e sentir para qual caminho as melodias estão me
levando, talvez seja essa sinceridade e honestidade que temos no nosso som que faz com que a música da Catedral atravesse tantas décadas! Já fiz música dormindo sim! Rsrsrs… Mais uma prova de que somos apenas um “canal” que ouve coisas que os outros não conseguem perceber! A música citada que fiz dormindo é “Estrelas Do Amanhã”…

 

6) Quais suas maiores influências musicais?

R: Tenho muitas e acho influências super positivas, principalmente quando você não tenta copiá-las e sim aprender com elas e tentar trilhar o seu próprio caminho no instrumento, ter sua própria linguagem!!! As maiores influências no meu instrumento no Brasil são, Nico Assumpção e Arthur Maia. O Arthur com uma história super bacana! Estávamos fazendo um show em Fortaleza. Eu, Kim e Guilherme estávamos batendo um papo na recepção, depois de fazer o check in no hotel, quando surge o Gilberto Gil com toda a sua banda! Vejo Arthur Maia entrando no hotel e pensei, _tenho que ir lá falar com ele, mas acabei ficando parado (coisa de fã com vergonha, rsrs. Quando ele me vê, e vem rápido em minha direção me abraçar, diz que conhece o meu som me dá os parabéns pelo trabalho; me pede para segurar o seu baixo e sobe até o seu quarto para pegar um CD dele e me presentear! Dia super emocionante para mim…

Lá de fora tem muitos outros baixistas que me influenciaram, vou citar aqui os principais: Stanley Clarke, Marcus Miller, Brian Bromberg, Charles Mingus, Eddie Gómez, Edgar Meyer, Geddy Lee, Billy Sheehan e o Jaco Pastorius…

De outros instrumentos posso citar: Pat Metenhy, Chick Corea, Mike Stern, John Schofield, Steve Morse, Steve Vai…De bandas: Rush, Yes, Marillion…
Artistas como: Milton Nascimento, Zé Ramalho, Djavan e tantos outros sem mencionar os compositores clássicos… Acho que sou uma grande fusão de tudo que me influenciou, graças a Deus sempre com a minha assinatura…

 

7) Que habilidades um bom baixista deve desenvolver?

R: Acho que a principal é a paciência!!! Rsrsrs Sem ela você não vai conseguir desenvolver nem uma das técnicas que existem hoje para tocar bem e dominar o seu instrumento seja ele qual for…
Se for no baixo, e formos falar de técnica, acho interessante saber bem duas, o pizzicato e o slap. Tendo tempo acho interessante também saber um pouco sobre tapping. Lembrando que quando falo pizzicato, não quero dizer só subir e descer escalas tocando com os dedos (“pizzicato” vem de se tocar sem o arco no baixo acústico), temos que trabalhar tudo, como a harmonia para saber
fazer a construção e a análise de acordes e campos harmônicos, os “grooves” com efeitos de “ghost notes” para quem curte o Soul, as células rítmicas e formas de execução de tantos estilos musicais, e por aí vai… No Slap a mesma coisa, temos várias técnicas dentro dessa técnica específica e é preciso treinar todos os fundamentos, seus aprimoramentos e novidades…

 

8) Todo mundo fica curioso pra saber sobre o seu setup.

R: Estou acabando de alterar o meu Setup e vocês do TMB serão os primeiros a saber! Sou endorser da Amorim Custom Effects uma empresa aqui do Rio que faz efeitos fantásticos, e que tive o prazer de desenvolver junto com o André dois pedais signature! Um Over Drive que demos o nome de S.E.P Over (Abreviação da música “o Sapo, Escorpião e a Paixão” da Catedral) e uma
distorção que batizamos de The Revolution (Referênte a música Revolução também da Banda), fora esses dois uso um dual deley (Rhythm Clock), um chorus (Smart Chorus) e o Preplex que uso como booster para solos. Todos ficam sobre o meu Pedalboard da Amora Pedalbord super resistente e bem acabado, os pedais são ligados com cabos da Mac Cabos e os meus baixos vão comigo nas viagens em Bags da Hard Bag Personalizado. Uso baixolão da Strinberg, (parceria que fizemos através da Banda Catedral). As cordas são internacionais da Curt Mangan dos USA e
os baixos que são a grande novidade em primeira mão, é que a partir de agora serão da Garcia’s Luthieria! Sempre fui fã dos baixos que o Junior Garcia faz, e pela internet, acho que pelo Instagram conversamos e fiquei sabendo que ele curtia muito o meu trabalho como baixista e era um sonho antigo dele que eu usasse seus instrumentos! Ele só não sabia que o sonho era mútuo!
Meu contrato estava terminando com a minha antiga parceria e quando o Junior viu a oportunidade de me ver na Garcia’s, ele logo fez o convite que foi aceito por mim com muita alegria! Afinal era uma vontade minha já há muito tempo…

Como hoje faço as produções musicais da Banda Catedral e de outros trabalhos como o meu e o do Kim solo, também tenho uma parceria com a Edifier que me dá um suporte em monitores de estúdio e fones de qualidade para facilitar minha vida…

9) Você usa um contrabaixo sete cordas. Como foi a parceira internacional, já que ainda não se fabrica esse tipo de encordoamento no Brasil?

R: Uso! Inclusive a Garcia’s está fazendo um modelo com detalhes exclusivos para o meu novo baixo de 7 cordas! Foi bem tranqüilo, entrei em contato pelo e-mail com o pessoal da Curt
Mangan, mandei para eles um release, fotos e áudios meus e eles retornaram o e-mail querendo fechar a parceria comigo para começar a divulgar a marca aqui no Brasil…

 

10) Que ações empreendedoras você tem desenvolvido na sua carreira?

R: As últimas ações foram de colocar o meu material didático que desenvolvi durante tantos anos à frente da minha escola de música em livros, para que as pessoas possam ter um grande conteúdo dentro de casa a qualquer hora e lugar, mesmo que não haja internet!!! Rsrsrs Com isso também construí um site e uma loja virtual para deixar esse material acessível para todas as pessoas… Não conto como empreendedorismo, mas estou sempre fazendo projetos novos, como o meu Trio Instrumental com o Caíque Rocha nos teclados (sideman da Banda Catedral) e o baterista Tiago De Souza, que já até começamos a tocar e tem vídeos no meu canal do Youtube (Vou deixar o link aqui), e também os CDs solos que volta e meia eu faço alguma coisa…

Workshow com o meu Trio…

CD Only For You (Instrumental)…

https://itunes.apple.com/br/album/only-for-you-instrumental/1198669284

 

11) Você já tocou com o pé inchado, com febre…São sacrifícios que valem a pena?

R: Isso é uma questão de profissionalismo. Para mim vale a pena, afinal estou ali tocando o meu trabalho e não simplesmente acompanhando tocando o trabalho de outros artistas! Acho que quando se é artista, e você vê o público emocionado e cantando uma música que você concebeu isso faz toda a diferença! Não estou aqui de forma alguma desmerecendo o trabalho dos músicos que acompanham diversos artistas! Todos os grandes músicos sempre colocam suas assinaturas no que fazem, mas também sempre enveredam para trabalhos solos ou pelo menos sonham com isso…
Pode ter certeza que a emoção é diferente e faz valer à pena o esforço de estar ali tocando no sacrifício quando o trabalho é seu…

 

12) Como você vê iniciativas como a do ToqueMaisBaixo, no ensino do contrabaixo?

R: Acho super bacana! Todo material com um conteúdo honesto para os que querem aprender realmente a arte da música, e em especial o nosso instrumento o contrabaixo, eu apoio e muito…
O Toque Mais Baixo está de parabéns pelo site e pelo material, gostei muito do que vi pela internet… Deu até vontade de transformar meu material em e-book e lançar em plataformas digitais também…

Um grande abraço para todos e muito obrigado pelo carinho que vocêstem com o meu trabalho…

God bless…

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

 

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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