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CAMILA RODRIGUES – “Não me comporto como sexo frágil”

A baixista Camila Rodrigues nasceu e cresceu em São Paulo. Ela se diz uma eterna apaixonada pela arte. Para mantê-la ocupada durante a infância, sua mãe a cadastrou em escola de dança e música, carreiras que segue até hoje, além de se formar e trabalhar em Design de Moda, que para ela também é uma forma de arte. Um dia, Camila se apaixonou pelos graves e hoje faz shows e toca como free lancer. Confira a entrevista exclusiva para o nosso site!!

TMBX: Poderia nos contar como começou sua carreira na música e no contrabaixo?

CAMILA: Comecei a estudar música com 12 anos pelo Projeto Guri do Governo. Fazia aulas de canto coral e violão erudito. Na divisão da camerata de violões eu sempre pegava a parte dos graves, até que um dia o baixista da orquestra teve problemas para se apresentar e meu professor me indicou para começar aulas de contrabaixo. Meu primeiro contato e início de estudos foi com o contrabaixo acústico (orquestral, clássico, rabecão). Me apaixonei ainda mais pelos graves e em seguida passei a estudar com baixo elétrico.

TMBX: Quais os principais trabalhos na área musical que fez e faz atualmente?

CAMILA: Tive oportunidade de me apresentar em lugares durante a adolescência, como Sala São Paulo, Memorial da América Latina, Festival de Inverno de Campos do Jordão, ser regida pelo Maestro John Neschling. Fui residente no Madeleine Jazz Bar e Vermont e hoje atuo como baixista free lancer.

TMBX: Como ser mulher-baixista num cenário essencialmente masculino? Acha que existe preconceito em relação às mulheres? Que desafios você enfrenta?

CAMILA: Atuar no cenário musical, principalmente quando toquei em casas de rock, me deixava um pouco desconfortável. Cheguei a ser recusada para teste de banda. Vi situações em que bastava ser mulher, segurar um instrumento e tocar uma nota no palco, que era considerado incrível, isso me deixava um pouco frustrada, pois isso não era um bom incentivo para as mulheres estudarem realmente. Hoje em dia vejo que esse cenário está mudando, pois cada vez mais mulheres vem se destacando com habilidades realmente boas e inspiradoras. Porém, escutei ainda esses dias que é bom ter uma mulher na banda, porque é mais fácil vender shows.

Procuro impor respeito e não me comporto como Sexo frágil. Carrego meus equipamentos, estudo e não deixo me abalar por olhares intimidadores ou assediadores.

TMBX: Quais suas maiores influências na música?

CAMILA: Minha banda preferida é RHCP, então com certeza Michael Balzary é uma grande inspiração. Victor Wooten, Heitor Gomez, meu irmão Pedro Cruz e Ricardinho Paraíso.

TMBX: Que habilidades um bom baixista deve desenvolver?

CAMILA: O baixo é um instrumento incrível com inúmeras técnicas para estudar e desenvolver. Não se prender a estudar um único estilo musical é importante, na minha opinião. Cada tipo de música te dá uma proposta diferente para trabalhar nas linhas e técnicas de baixo. Jazz, Funk, Samba, todas as vertentes de rock, cada um expande a forma de pensar, podendo te auxiliar para novas ideias e timbres, fusionando ou não, é uma ótima maneira de encontrar sua personalidade na música, desenvolver habilidades e feeling.

TMBX: Como conciliar sua agenda de musicista com suas outras ocupações?

CAMILA: Trabalho por conta própria há 6 anos, então consigo manipular meus horários para me dedicar ao que gosto de fazer sempre. A arte é minha prioridade. Trabalho me divertindo.

TMBX: O que você acha da iniciativa do ensino de contrabaixo online, como o ToqueMaisBaixo?

CAMILA: Gosto da ideia de estudar, independentemente de ser pessoalmente ou online. O importante é o foco de quem estuda. O estudo online, porém, é uma ótima opção para quem tem dificuldade de tempo e deslocamento no dia a dia.

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

 

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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