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CLEBER FOGAÇA – A IMPORTÂNCIA DO ENSINO ONLINE NA BELA ARTE DE TOCAR CONTRABAIXO

Desta vez o nosso convidado é o músico paulista CLÉBER FOGAÇA, exímio contrabaixista (elétrico e acústico), um baita compositor e que tem no Jazz sua grande paixão.

Cleber nasceu e vive na cidade de Araraquara, no estado de São Paulo. Começou a estudar e a tocar no início da adolescência, conseguindo se estabelecer profissionalmente nesta região. Iniciou
estudos de violão nos anos 90, migrando depois para a guitarra. Ao conhecer o contrabaixo, este se tornou seu instrumento principal. Ainda no final da década de 90, Cleber ingressou no Conservatório de Tatuí onde se formou em MPB/JAZZ em 2003. Desde então vem aplicando os conhecimentos adquiridos, principalmente nesta fase, nas suas aulas, composições, gravações e shows.

TMBX: Poderia nos contar como começou sua carreira na música e no contrabaixo?

CLEBER: Eu tenho um irmão (5 anos mais velho) que fez dois anos de violão clássico por volta dos 12 anos. Depois disso abandonou completamente o violão. Quando eu tinha 11 anos, comecei a fazer aulas particulares de violão também, só que popular, pois na verdade queria mesmo era tocar guitarra.

Algum tempo depois, meu pai percebeu que eu estava realmente interessado, e finalmente me presenteou com uma guitarra. Continuei estudando e aos poucos comecei a ganhar meus primeiros cachês. Um belo dia me convidaram para tocar em uma banda profissional de baile, muito comum ainda nos anos 90. A vaga não era para guitarrista e sim para baixista. Confesso que fiquei sem saber o que fazer, mas por fim aceitei o convite. O que posso dizer a partir daí é que me apaixonei por esse instrumento. Posteriormente, troquei todo o meu equipamento de guitarrista pelo de baixista. Na sequência, fui me dedicar aos estudos no Conservatório de Tatuí, em 2002. Fundei junto com outros dois músicos a Escola Livre de Música Araraquara. Desde então venho me aprofundando cada vez mais nos estudos e nos trabalhos.

TMBX: Quais os principais trabalhos que fez e faz atualmente?

CLEBER: Nos anos 2000 toquei nos principais festivais de música instrumental do estado de SP. Participei da gravação de alguns álbuns de rock, blues, jazz, samba e pop. Em 2009, dei início ao meu trabalho autoral com o Cleber Fogaça Quarteto. Em 2014, pude registrar minhas primeiras composições no CD Trilhando lançado em 2015, álbum este que conta com Fernando Corrêa nas guitarras, Vinícius Dorin no saxofone, Paulo Almeida na bateria, além da minha pessoa no baixo elétrico e acústico. Atualmente toco com o Trio Zabumbê de música instrumental brasileira,
com o qual pude fazer shows ao lado de Arismar do Espírito Santo, Carlos Malta e Vinícius Dorin; com o Trio Teimoso da cidade de Ribeirão Preto de choro também instrumental, com o qual tenho feito shows de divulgação do primeiro EP do trio; faço parte da banda da cantora de MPB Iara Ferreira e da cantora de MPB e música francesa Iuna Tuane; também participo de algumas bandas de rock e blues aqui da região. Desde o final dos anos 90 desenvolvo meu trabalho como professor de contrabaixo elétrico e acústico, guitarra jazz, violão, percepção, improvisação, leitura, harmonia e teoria. Em 2018, lancei meu primeiro curso 100% online voltado para o baixo.

TMBX: Quais suas maiores influências na música?

CLEBER: Eu gosto muito de música brasileira, então poderia dizer que gosto de vários cantores, cantoras e instrumentistas, mas me identifico bastante com a música de Hermeto Pascoal, Hamilton de Holanda, Trio Curupira, Chico Buarque, Tom Jobim, Cartola, João Nogueira, Luiz Gonzaga e por aí vai… Já quando se fala em baixistas gosto muito de John Patitucci, Nico Assumpção, Luizão Maia, Eddie Gomes, Larry Grenadier, Itiberê Zwarg, Thiago e Arismar do Espírito Santo, e vários outros, isso sem contar os saxofonistas (se tivesse mais tempo estudaria sax tenor com certeza), pianistas, bateristas… Na verdade gosto imensamente de composição; não sou tão ligado nos instrumentistas, esses são apenas alguns dos que costumo ouvir.

TMBX: Que habilidades um bom baixista deve desenvolver?

CLEBER: Na minha opinião isso depende de alguns fatores como estilo o qual quer tocar, o nível em que quer chegar, se pretende se profissionalizar ou não…Por exemplo, um baixista de samba tem que focar em saber tudo sobre harmonia, e conhecer as levadas dos instrumentos de percussão que fazem parte deste estilo, para enriquecer suas linhas. Já um baixista de rock progressivo precisa focar nas técnicas (slap, tapping, etc), ter agilidade e, acima de tudo, resistência. Veja bem eu falei “focar” certo? Não devem apenas estudar isso… Agora se quer ser um músico versátil que possa ministrar aulas, gravar, tocar vários estilos, tem que estudar muito, o tempo todo, harmonia, improvisação, percepção, técnica, leitura, repertório, linguagem musical e por aí vai…

TMBX: Que ações empreendedoras você tem desenvolvido em sua carreira?

CLEBER: Constantemente busquei formas de me inserir no mercado, seja o cultural ou de entretenimento. Fora isso, sempre foquei nas aulas, como escrevi anteriormente, sendo um dos fundadores da Escola Livre de Música Araraquara em 2002 da qual fui sócio até 2018. Em 2010, comecei a focar também no mercado online dando aulas via Skype. Criei algumas séries no meu canal do Youtube e em 2018, lancei meu primeiro curso online chamado Improvisação na Música Brasileira Para Baixistas. Para 2019, estou preparando conteúdo exclusivo para o grupo de estudos do Facebook Baixo Criativo. Acabo de ser convidado pela plataforma MusiMy, que será lançada em março, a fim de criar conteúdo de aulas exclusivas para ela. Como músico busco em todo tempo fazer parcerias com as casas da minha região, e criando projetos permanentes como a “Quinta Instrumental”, que em 2019 completa seu quinto ano de existência. Desde 2009 venho também focando na minha música fazendo gravações e buscando lugares para mostrar este meu trabalho. Realizei junto com outros músicos em 2016 e 2017, o Festival Araraquarense de Música Instrumental (FAMI) com shows, workshops e oficinas com nomes como Bob Wyat, Djalma Lima, Zé da Velha e Silvério Pontes, Fernando Corrêa, entre outros.

TMBX: O que você acha da iniciativa do ensino de contrabaixo online, como o ToqueMaisBaixo?

CLEBER: Magnífico! Trabalhos como este só tem a ampliar o conhecimento dos adeptos da bela arte de tocar o contrabaixo. Lembro quanto comecei a estudar nos anos 90, como era difícil encontrar qualquer tipo de material. Dependíamos dos professores da cidade ou da região, e muitos não possuíam muita sabedoria para ministrar aulas. Penso que o mundo online veio quebrar de vez essa barreira, e disseminar conhecimento para todos os gostos e bolsos.

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

 

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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