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DUO BAIXO E VOZ – PRECONCEITOS DEVEM SER COMBATIDOS NO MEIO MUSICAL

Sérgio Pereira e Marivone Lobo tiveram contato forte com a Música desde cedo. Eles cresceram juntos no interior de São Paulo, onde as famílias frequentavam a mesma igreja.

Marivone cresceu ouvindo seu pai tocar Dilermando Reis, seu irmão tocar Toquinho, e sua mãe cantarolando hinos cristãos. As irmãs, irmão e mãe participavam de corais. Desde criança foi envolvida com música na igreja, e depois de casar a música passou a ser sua profissão.

Sérgio começou com um grupo de amigos que moravam perto de sua casa, quando formaram uma banda de rock. Estudou violão clássico e guitarra. O baixo apareceu aos 16 anos, quando faltou um baixista para tocar em um acampamento da igreja. Nesse momento Sérgio se interessou pelo instrumento e passou a estudar o que havia disponível, como os métodos de Jaco Pastorius, Adam Novick e Chuck Sher. Confiram nosso papo super profissional!!

TMBX: Como se conheceram e decidiram fazer o duo?
SÉRGIO: O Baixo e Voz nasceu de um convite feito a vários músicos de diversas igrejas evangélicas em Ribeirão Preto, no ano de 1991. Era a gravação de uma fita cassete com o intuito de levantar fundos para uma instituição de recuperação de viciados em drogas, a Conexão Paz. Fui convidado a gravar os baixos, e a Marivone a fazer parte do grupo vocal. Apenas em 1994, quando fomos tocar no Som do Céu, evento que acontece há mais de 30 anos em Belo Horizonte, é que começamos a pensar na possibilidade de investir em um duo de verdade e gravarmos.

TMBX: Qual o maior obstáculo que já enfrentaram na carreira?
SÉRGIO – Preconceito – alguns sites e rádios deixavam claro que não tocariam nossas canções, pois elas apresentavam letras cristãs – o detalhe é que nem ouviam. É uma cultura que precisa ser quebrada no Brasil. Artistas estrangeiros dificilmente têm problema com isso, vide álbuns como A Love Supreme, de John Coltrane, If on a Winter’s Night…, de Sting ou os oito discos da fase cristã de Bob Dylan.

TMBX: Quais suas maiores influências musicais?
MARIVONE – MPB (anos 80/90 – Marisa Monte, Mônica Salmaso, Boca Livre, Clube da Esquina, Djavan entre tantos…).
SÉRGIO – hard rock (Led Zeppelin, Deep Purple), progressivo (Pink Floyd/ Yes), cool Jazz e fusion (Chet Baker, Miles Davis, Chick Corea, Jaco Pastorius, Biréli Lagrène) e MPB (Tropicália/ Clube da Esquina/ Nova MPB).
A turma da MPB Cristã (João Alexandre, Jorge Camargo, Guilherme Kerr, Sérgio Pimenta, Vencedores por Cristo, Expresso Luz) também foram importantes na nossa formação (minha e da Marivone).

Gravando em vídeo um novo projeto para o Prosa e Canto (direção de Beto Ribeiro), Goiânia, 2017. Crédito da foto: Bruna Alecrim.

TMBX: Marivone, você ainda vê resistência às mulheres musicistas?
MARIVONE: Por incrível que pareça ainda vejo muitas pessoas, inclusive músicos, que se espantam quando conhecem uma baixista, uma baterista ou uma guitarrista que desempenham seu papel com excelência. O papel da cantora e até a musicista de orquestra é mais normatizado hoje, mas acredito que, assim como em inúmeras outras profissões, existe muito preconceito a ser combatido no meio musical.

TMBX: Que habilidades um bom músico deve desenvolver?
DUO: São várias, mas em especial destacamos quatro: a) disciplina nos estudos; b) excelência no preparo para apresentações; c) vontade de pesquisar; d) se inteirar do que ocorre no mundo (não só na música).

TMBX: Poderia nos contar uma experiência marcante que já tiveram na carreira?
DUO: Difícil escolher só uma… Uma canja em um show do Arthur Maia, em 1995, no Café com Letras, de São Carlos nos incentivou demais para seguirmos na carreira. Outra foi um pequeno tour nos apresentando em cidades do México (2013).

TMBX: Sérgio, Qual o seu setup?
SÉRGIO: Baixo SP-1 Guzzardi, de Raphael Guzzardi (Ribeirão Preto) – feito sob encomenda, pedais Fire (Kronos, Bass Pusher, Phaser, Overdrive – sou endorsee) e Boss (Digital Reverb, Delay DD-7, FV-50 e Bass Chorus). Para amplificadores, geralmente utilizo GK ou Hartke System (potência conforme local).

TMBX: Que ações empreendedoras têem desenvolvido?
SÉRGIO – Em breve estarei lançando o livro O Músico Profissional: Conselho e Ideias para a Carreira, que conta com comentários de vários profissionais da música como André Mehmari, Pena Schmidt, Tó Brandileone, Benjamim Taubkin, Telo Borges entre outros. Estamos produzindo canções e disponibilizado-as como singles nas plataformas digitais e como lyric videos no You Tube. A última que produzimos foi O Velho e o Mar: https://www.youtube.com/watch?v=gXMeS3zOKTA

Apresentação na Hacienda de Ayala, México, 2013. Crédito da foto: Jader Gudin.

TMBX: Quais objetivos ainda pretendem alcançar?
DUO: Nos apresentar em alguns estados que ainda não visitamos (RS, PA ou AM) e em outros países do exterior (estivemos no Chile e México).

TMBX: Que dicas vocês dariam para os músicos que também querem se aventurar como duo de baixo e voz?
DUO: Melodia é o ponto de saída para os arranjos, portanto estude a melodia antes de começar o arranjo nesse formato. Outro detalhe: não é qualquer música que cabe nesse formato, portanto, é necessário desenvolver sensibilidade ao escolher repertório. E o mais importante: ao compor ou arranjar, não copie ninguém, seja você.

TMBX: O que acham de iniciativas como a do Toque Mais Baixo, no ensino online do contrabaixo?
DUO: Uns anos atrás dizíamos que EAD era o “futuro”. Na verdade, ele já é o presente. Trabalhei com aulas online também e sei que elas funcionam muito bem. Parabéns à ToqueMaisBaixo pela alta qualidade dos cursos e materiais didáticos.

Obrigado pelo convite!

Sérgio Pereira e Marivone Lobo – www.baixoevoz.com.br

 

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

 

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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