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AQUILES RABELO – “O SEGREDO É GOSTAR DO QUE FAZ E AMOR À ARTE”

A Banda de Reggae TRIBO DE JAH iniciou sua história na Escola de Cegos do Maranhão. Quatro músicos deficientes visuais e m quinto músico, com visão parcial (apenas em um olho)
começaram improvisando instrumentos e fazendo shows em bailes de São Luís.

O radialista Fauzi Beydoun, paulista, filho de italianos e libaneses, que morou na Costa do Marfim (África), apaixonado pelo reggae, resolveu se juntar aos rapazes para criar uma banda, que
transformou a capital maranhense na Jamaica Brasileira. Após mais de uma década, com apresentações em todos o país e no Reggae Sunsplash Festival – Jamaica/95, a Tribo de Jah lançou um documentário chamado “A TRIBO DO REGGAE”, contando a história da Banda. Em outubro do ano passado, eles gravaram um CD – Confissões de um velho regueiro – em comemoração aos 30 anos de carreira.

O baixista Aquiles Rabelo, conversou com a gente sobre sua trajetória no grupo, cuja principal missão é divulgar o reggae, um ritmo caracterizado pela crítica social, em protestos contra o
preconceito e a desigualdade.

TMBX: Conte-nos um pouco sobre sua história, onde nasceu, onde mora, etc.

AQUILES: Sou Aquiles Rabelo, nome herdado do meu pai (que também era músico. Minha mãe se chamava Odinea (professora de ensino fundamental). Nasci em Turiaçú, interior do Maranhão.
Dentre os sete irmãos sou o único com deficiência visual, consequência de um glaucoma congênito. Me criei na capital do Maranhão (São Luís), onde aos nove anos ingressei na escola de cegos. Lá aprendi o sistema braille e concluí o ensino fundamental, e onde também descobri a vocação musical, assim como o instrumento que gostaria de aprender.

TMBX: De que maneira começou sua carreira musical?

AQUILES: Na escola de cegos do Maranhão conheci alguns alunos que também tinham vocação para determinados instrumentos. Juntos brincávamos de fazer um som, improvisando instrumentos como: baixo em um violão com 4 cordas, bateria de latas e carteiras escolares (escrivaninhas), piano desafinado e outros cantavam. Até que ao concluir o ensino médio, juntamente com os mesmos amigos, comecei a tocar em bandas profissionais na noite em São Luís.

TMBX: Quais as dificuldades de um músico hoje, no Brasil?

AQUILES: Com a atual crise econômica o número de eventos caiu bastante. A profissão não é reconhecida com os devidos benefícios, onde a maioria dos músicos no Brasil são autônomos e mal
remunerados.

TMBX: Como é a interação com os outros músicos da Banda?

AQUILES: Temos um ótimo relacionamento profissional e pessoal, mesmo com os novos integrantes, pois alguns da primeira formação saíram para seguir seus projetos pessoais.

TMBX: Quais habilidades um bom músico deve desenvolver?

AQUILES? Emprenho, dedicação, gostar do que faz e amor pela arte.

TMBX: E sobre sua experiência de tocar Reggae, já que no Brasil, o ritmo ainda não é muito difundido?

AQUILES: Eu fui criado em uma cidade considerada a Jamaica Brasileira, onde a pedra rola solta, ou seja, o reggae é um ritmo que bate forte. Então a todo momento eu ouvia reggae e esse ritmo me contagiou. No Brasil temos bandas de reggae de norte a sul do país, mas infelizmente ainda não é muito divulgado pela grande mídia. Talvez por não terem letras comerciais como outros estilos em alta.

TMBX: Poderia nos contar sobre a gravação do documentário?

AQUILES: O documentário conta nossa trajetória desde o início até os dias de hoje. Foi gravado em São Luís onde tudo começou, e São Paulo, onde tivemos a oportunidade de levar o reggae para o Brasil e para o mundo.

TMBX: O que você acha de iniciativas, como a do site Toque Mais Baixo, para o ensino do Contrabaixo online?

AQUILES: Acho uma excelente ideia, pois ajuda a muitos que gostariam de aprender contrabaixo, mas não tem condições financeiras de pagar um professor particular ou uma escola de
música. Gostaria de dar uma sugestão: que essas aulas também fossem com acessibilidade para pessoas com deficiência visual que tem o mesmo interesse em aprender contrabaixo.

 

Por Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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