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MÚSICA PRA MIM É VIDA, É ALIMENTO. NÃO CONSIGO VIVER SEM MÚSICA

O Maestro Agenor Ribeiro Netto descreve assim sua paixão pela Música e pela profissão.

O Maestro Agenor Ribeiro Netto é multiinstrumentista e tem um dom divino maravilhoso: ouvido absoluto. Isto lhe permite sentir desafinação, identificar notas e erros rapidamente, até mesmo em apresentações de uma orquestra.

Nascido em Caconde – MG, onde pouco residiu, morou em várias cidades. Voltou à terra natal onde ficou até os dezessete anos, quando começou a namorar sua esposa, Rita Maria. Já em Poços de Caldas, cursou Química Industrial e concluiu seus estudos no Conservatório Musical. Apesar de sua agenda sempre lotada, o Maestro Agenor gentilmente nos presenteou com um papo divertido e muito proveitoso. Confira!!

TMBX: COMO COMEÇOU NA CARREIRA MUSICAL?
AGENOR: Comecei a estudar violino aos 6 anos. Professor muito ruim, me deixou desmotivado. Na minha infância, estudar Música era uma questão social e cultural – pouco importava se a criança tinha ou não queda para ela – tinha que estudar música pelo menos 30 minutos por dia. Eu apanhava, porque não queria saber de nada. Aos 7 para 8 anos, finquei o pé e disse que não ia estudar mais violino. Então me deram um acordeon para ver se a coisa andava. Tudo mudou, quando consegui um ótimo professor – eu tocava o dia inteiro e quase tinha que apanhar pra parar de
tocar! Descobriram que eu tinha uma baita veia musical no DNA. Aos 10 anos era um virtuose e toquei o meu primeiro baile. Então, a música nunca mais saiu de minha vida e eu tinha um sonho: um dia ser maestro…Não foi fácil. Demorou, mas consegui!

TMBX: PARA SE TORNAR MAESTRO, EXISTE UMA PREPARAÇÃO DIFERENCIADA?
AGENOR: O maestro nasce maestro…Fazer um curso é apenas completar informações. Fiz o Curso de Regência Instrumental no famoso Conservatório Musical de Tatui, quando era dirigido pelo saudoso Maestro Antonio Carlos Neves Campos. Era a maior escola de música da América Latina e entre as três melhores do mundo! Tinha quase 4.000 alunos do Canadá à Argentina. O curso era como uma pós-graduação e durou 4 anos. Para mim valeu muito a pena porque entrei no universo maravilhoso das cordas. Uma experiência fascinante.

TMBX: QUAIS OS TRABALHOS QUE FEZ E FAZ ATUALMENTE?
AGENOR: Até conseguir realizar o sonho de ser Maestro, me formei em Educação Física, fiz mestrado, me especializei em Natação onde tive grandes resultados como Técnico. Fui técnico da Seleção de Natação de Ribeirão Preto, onde meus nadadores quebraram vários recordes paulistas, nacionais e sul americanos. Treinei também a primeira brasileira a atravessar o Canal da Mancha, Kay Pontes e a atual recordista, Ana Mesquita. Fui diretor da Faculdade De Educação Física de Muzambinho. Neste meio, fiz também Fisioterapia, com especialização em Traumatologia e Ortopedia. Ao lado disto, regia corais, bandas, etc.

Quando Secretário de Cultura, Esporte e Turismo de S. José do Rio Pardo, criei com um amigo o FESTIVAL DE MÚSICA DA PRIMAVERA que veio se transformar no maior festival de MPB do Brasil. Por causa deste festival, a rede EPTV/GLOBO me pediu para criar um festival que unisse moda de viola com MPB. Então criei o Festival Viola de Todos os Cantos que durou 11 anos.
Neste meio termo escrevi um musical e várias trilhas de filmes. Em 2003, assumi a Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas como maestro titular. Ela estava parada há três anos e tinha apenas 24 músicos. Seis meses depois, já éramos 60 e agora somos 70. Em 2009, fundei a Orquestra Jazz Sinfônica de São João da Boa Vista, hoje com 80 músicos.

TMBX: COMO FOI CRIADA A SINFONIA DAS ÁGUAS?
AGENOR: Em 2006, criei a SINFONIA DAS ÁGUAS que hoje é o maior musical brasileiro ao vivo. Nestes 12 anos de existência e 64 edições, foi vista por 370 mil pessoas de 17 estados brasileiros.
E agora, acabo de criar outra orquestra: VIOLAS & VIOLINOS, UMA ORQUESTRA CAIPIRA, onde misturo moda de viola com músicas eruditas instrumentais feitas em ritmos caipiras. Gravamos dois clips e um deles já atingiu mais de 250 mil visualizações.

TMBX: PODERIA NOS CONTAR COMO É A PERFORMANCE DA SINFONIA DAS ÁGUAS?
AGENOR: A Sinfonia das Águas é um sonho que nem sei como, consegui realizar. É uma preparação enorme, demorada e que o público não tem conhecimento porque ele somente vê o espetáculo na hora. É importante ressaltar que não existe ensaio geral para as sinfonias: apenas a orquestra ensaia, o balé grava as músicas e ensaia em outro lugar.
Uma sinfonia começa assim:
– penso nas músicas, vejo se tem algo de importante na data (acontecimento social, esportivo, algo histórico, se é aniversário de vida ou morte de algum artista ou compositor, etc). Se tiver, seleciono as músicas relativas a estas datas.

– Montado todo o repertório, realizamos uma reunião de produção com coreógrafa, produtor cenográfico e contra-regras. Discutimos ações cenográficas, efeitos especiais, figurinos, quais músicas o balé irá dançar, etc;

– isto feito, passo o roteiro para o meu diretor que vem de São Paulo e fazemos a montagem dos vídeos que serão projetados na fachada do Palace Hotel.

– no dia da sinfonia, seis contra-regras munidos de walktalks, sendo que um fica ao meu lado, vão soltando o roteiro. E por incrível que pareça, a coisa acaba dando certo

TMBX: QUE OUTRAS ATIVIDADES VOCÊ GOSTA DE TER NAS HORAS VAGAS?
AGENOR: Fui alfabetizado pela minha avó, aos cinco anos de idade, e desde então fiquei viciado em leitura. Leio de forma quase obsessiva e adoro cozinhar. Ah… adoro curtir minhas netinhas e meu netinho rsrsrs

TMBX: QUAIS INSTRUMENTOS VOCÊ TOCA?
AGENOR: Meus dois instrumentos principais são o Acordeon e o Saxofone. Brinco no violão, cavaquinho, piano, contrabaixo, flauta, cello, arranho o violino.

TMBX: COMO SE DÁ A PREPARAÇÃO DO MAESTRO PARA AS APRESENTAÇÕES?
AGENOR: Fico sempre ansioso e angustiado, como se fosse a primeiravez. Tento me concentrar, pensar nos arranjos e me lembrar de todas as partituras. Assim posso olhar mais para a orquestra, e menos para elas. A regência e a orquestra soam muito melhor. Quando estou nas coxias, esperando ser chamado para entrar, e o spalla (o violino principal) afina a orquestra, com aquele som de todos os instrumentos se afinando simultaneamente, eu me sinto como um toureiro, louco para entrar na arena. Quando pego a batuta e rejo a primeira música, é como se estivesse em transe: me desligo de tudo e me ligo na plateia, tentando trazê-la para o palco e para meus músicos.

TMBX: QUE CONSELHO DARIA PRA QUEM QUER VIVER DE MÚSICA?
AGENOR: Diria que não é fácil. É uma carreira incerta. O conselho que dou hoje é que faça uma faculdade de música. Enquanto vai tentando a carreira musical, pode ter a garantia de um salário fixo mensal dando aulas em escolas ou faculdades. Importante: não desista nunca! Eu passei 50 anos de minha vida tentando viver apenas de música – só fui conseguir aos 52 anos, embora
antes fizesse música com outras atividades. Mas ela era a secundária. Hoje meu único trabalho é MÚSICA – e isto é muito bom!

TMBX: O QUE ACHA DE INICIATIVAS, COMO A DO SITE TOQUE MAIS BAIXO, QUE ENSINA CONTRABAIXO ON LINE?
AGENOR: É este o caminho! O tempo de lousa e giz acabou. É um processo dinâmico, rápido, super-motivador! Permite perfeitamente a interação aluno-professor. E quando este professor é bom, como no caso do site TOQUE MAIS BAIXO, bingo! Achou o caminho. E hoje existem sites também de outros instrumentos. Só não estuda quem não quer…

– Falando sobre o professor Raphael Du Valle. Como já estou com 68 anos de vida, tocando  em bailes a partir dos meus 10 anos de vida, tive uma vida intensa musical em bandas. Só  bailes, creio que  tenha feito mais de 500 entre as  décadas de 60 e 70. Depois, foi a vida  nos festivais, programas de TV etc. Posso afirmar uma coisa: o Prof. Raphael seguramente está entre os 3 maiores  contrabaixistas que  conheci e convivi. Virtuoso, super-musical, criativo. Toca com sensibilidade  única, qualquer que sejao estilo. LIteralmente “quebra todas” nos groves, no baixo acústico – no blues, no jazz, na MPB , no Pop Rock. E não é por acaso que toca comigo nas  3 formações que tenho hoje: ORQUESTRA JAZZ SINFÔNICA DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA, ORQUESTRA SINFÔNICA DE POÇOS DE CALDAS e ORQUESTRA TERRA BRASILIS. Me dá segurança me me garante o swing que quero delas e nos meus arranjos. Para fechar meus sentimentos sobre este músico fantástico eu quero dizer que além de toda a sua virtuose no instrumento é dono de um caráter  a toda prova e é um ser humano único. Uma honra e um prazer desmedido tê-lo dividindo os palcos comigo.

 

Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

Dúvidas? Deixe uma pergunta para o professor!