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“ESTUDAR DO JEITO CERTO DEVE SER A PRIORIDADE” – AFIRMA DIEGO RANDI

Desde a adolescência, por volta dos quatorze anos de idade, e mesmo sem nenhum músico na família, Diego Randi descobriu na Música sua grande paixão. Nascido em Franca, interior de São Paulo, em 1985, onde reside atualmente, Diego descobriu também uma segunda paixão: ensinar e compartilhar seus conhecimentos adquiridos ao longo de anos de estudos.

Segundo Randi, ele nunca teve um incentivo direto para tocar e afirma que “quando for ensinar, coloque-se no lugar do aluno, sempre”. Conheça o grande músico que sente muita satisfação em ministrar aulas, e tem influenciado uma geração de alunos com seu jeito humilde, paciente e amigável de transmitir conhecimentos musicais e de vivência pessoal.

TMBX: Como iniciou sua carreira na música e no contrabaixo?
Diego: Foi ouvindo o som da banda Engenheiros do Hawaii, que comecei a prestar mais atenção na música, aprender as letras e tal… E pelo fato do vocalista da banda (Humberto Gessinger) tocar Baixo, resolvi ali que queria tocar o mesmo instrumento, montar uma banda e fazer parte da música também.

TMBX: Quais os principais trabalhos na área musical que fez e faz atualmente?
Diego: Olha, já toquei de tudo um pouco nessa vida musical…rs. Passei por banda baile, dupla sertaneja, banda de pop, rock, samba, pagode, forró, baião, axé, blues, jazz, fusion e por aí vai… Mas nunca toquei com nenhum artista famoso. Atualmente tenho acompanhado uma dupla de Araxá-MG (Ludy & Miller) e mantenho dois projetos esporádicos: um de rock n’ roll (FITA-CREPE) e outro de música instrumental autoral (ORIPE).

TMBX: Quais suas maiores influências musicais?
Diego: Com o passar dos anos, estudando e tocando, deixei de lado aquele preconceito musical comum quando se inicia na música. Por isso, hoje em dia me influencio por qualquer tipo de música, desde que seja bem feita e bem tocada, com qualidade.

Mas, para citar alguns nomes, gosto muito do som do Arthur Maia, Javier Malosetti, Primus, Led Zeppelin, Victor Bailey, Elis Regina, Sizão Machado, Thiago do Espírito Santo, Djavan, Tom Jobim, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Red Hot Chili Peppers, Michel Camilo, Weather Report, Larry Graham, Tower of Power, James Brown, Herbie Hancock, Steve Morse, Charlie Parker, Miles Davis, a “santíssima trindade do baixo”: Jaco Pastorius, Marcus Miller e Victor Wooten.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TMBX: Como faz pra conciliar as agendas de estudo e gravação das aulas?
Diego: Administrar bem o tempo é um dos principais fatores, para realizar diversas atividades hoje em dia. Confesso que o ato de gravar, editar, divulgar as aulas e os materiais didáticos, me consome bastante tempo aqui durante a semana (e ainda tem os shows nos finais de semana), mas dá pra estudar em meio a tudo isso sim.

Claro que, se eu tivesse menos atividades e compromissos (como era na adolescência), também me sobraria mais tempo disponível para os estudos. Mas quando se organiza bem e coloca as prioridades na mesa, as coisas fluem. E o estudo musical deve ser constante: hora menos, hora mais – mas nunca tem fim!

TMBX: Que habilidades um bom baixista deve desenvolver?
Diego: Para quem quer ter um bom domínio musical do instrumento, ESTUDAR deve ser prioridade! Mas estudar do “jeito certo” também. Ficar com o baixo nas mãos, por horas, tocando coisas aleatórias, não te levará muito longe. Assim como também apenas decorar desenhos/shapes de Arpejos, Escalas e Modos também não te possibilitarão um bom desenvolvimento musical, pois
faltarão duas partes essenciais: Consciência e Percepção! Estudar Teoria te fará compreender melhor as nuances musicais, os ‘porquês’ da música. Trabalhar o Ouvido te possibilitará um melhor
reconhecimento sonoro da música – e tudo isso, alinhado à parte da mecânica/técnica de mãos. Quando se alinha esses três pontos (Consciência, Visão e Audição), junto à uma boa orientação, com um bom professor ou vídeo-aulas organizadas, um cronograma eficaz para suas necessidades, foco, vontade e muita paciência (para aguardar os resultados) – aí não tem jeito, você vai
aprender pra valer e se tornar um excelente baixista! Outra DICA: se atente e desenvolva, desde já, aos três pilares da música: HARMONIA, MELODIA e RITMO!

Ouça de tudo, sem preconceito – e não só baixistas, mas outros instrumentistas também. Com o tempo, você perceberá que sempre dá para aproveitar algo de bom, de qualquer estilo ou instrumento – e adaptar essas ideias ao seu som, à sua maneira de tocar.

TMBX: Qual teu sentimento como professor ao compartilhar conhecimentos para outras pessoas?
Diego: De gratidão e satisfação! Gratidão por ter a oportunidade de poder passar adiante tudo o que estudei e aprendi ao longo dos anos (e continuo). Sempre moldando a didática para uma melhor compreensão de todos que tem acesso às minhas aulas.

Satisfação em poder ver o desenvolvimento e os bons resultados dos meus alunos, tocando pra valer – isso não tem preço! Sempre recebo mensagens nas redes sociais também de baixistas que
estudam o conteúdo gratuito do meu canal, e conseguem tirar um bom proveito daquelas aulas/dicas – isso também me traz aquela sensação de “dever cumprido”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TMBX: Qual o seu setup atual?
Diego: Nos últimos anos, tenho usado muito um baixo da N.Zaganin (modelo MBL), apesar de possuir outros baixos de marcas e modelo variados. Tenho um set de pedais, que uso de vez em quando… Nele tem oitavador, envelope filter, synth, wah-wah, loop station, chorus, overdrive e um afinador. Uso cabos Panther, Tecniforte e Santo Ângelo. Preamp da Mendes Luthieria e regulagens com o Geraldo Majela (luthier de Franca). Uso um fone Shure 215 como retorno de palco e o amplificador que tiver disponível.

TMBX: Que ações empreendedoras você tem desenvolvido na sua carreira?

Diego: As Redes Sociais potencializaram (e muito) o meu trabalho, nos últimos anos! Tive um alcance muito bom no mercado on-line, principalmente na área didática, que é o meu foco atualmente. Por isso, investir em conteúdos (com qualidade e constância) faz toda a diferença. Sempre faço POSTS com vídeos, fotos ou textos, com dicas musicais e/ou reflexivas. Tem também as “Lives”, que funcionam e tem uma aceitação muito boa por parte do público. Hoje, eu trabalho basicamente dentro do meu quarto. Com um notebook, celular e internet em mãos, tenho acesso ao mundo todo – onde posso me apresentar e me divulgar também. Para isso, utilizo o Youtube, Facebook e Instagram.

TMBX: Que conselhos daria para quem também quer se aventurar como professor?
Diego: O primeiro passo é GOSTAR de ensinar e compartilhar conhecimento, de verdade. Do contrário, você e o aluno só se frustrarão.. É preciso preparo também, onde entra a questão do estudo constante. E você aprende a dar aulas, dando aulas! E não pense que, pelo fato de (de repente) tocar muito bem, automaticamente ensinará muito bem também… esse é um erro bem comum.
Tocar e ensinar são atividades distintas, que precisam ser desenvolvidas separadamente!

Por isso, é preciso desenvolver a parte da Didática, ter um cronograma organizado, um bom material de referência e coisas do tipo. Pra quem estuda (ou estudou) com bons professores particulares, esses pontos acabam ficando um pouco mais evidentes e perceptíveis. Já para quem sempre se virou sozinho (autodidata), organizar um bom cronograma pode ser uma tarefa árdua – mas também é possível, com bastante empenho e dedicação. O grande “segredo” é se colocar no lugar do aluno, sempre! Quando for ensinar qualquer assunto, imagine-se no lugar dele: como você gostaria de receber aquela informação, pela primeira vez? Será que a forma como você está ensinando a ele, estaria claro pra você também?

E nisso, quanto mais você conhecer sobre um assunto, mais formas distintas terá para ensinar esse mesmo assunto. Até porque, cada aluno é diferente – o que demanda uma atenção e tratamentos diferentes também. Às vezes, a forma como você ensina algo para um aluno, para um outro já não funcionará…É aí que entra a experiência e a didática: que serão adquiridas com o tempo e muita prática!

TMBX: Como você vê a iniciativa do ToqueMaisBaixo, no ensino online do contrabaixo?
Diego: Muito interessante, organizada e pioneira!

Conheci o trabalho do Raphael Du Valle há anos atrás, assistindo vídeos na internet de dicas e workshops. Ali eu percebi que o conteúdo tinha valor, qualidade e era bem explicado – ou seja, não era apenas um músico passando uma informação adiante, era um verdadeiro professor ensinando!

E isso serviu de inspiração para o meu trabalho didático online também! Acompanho sempre o Toque Mais Baixo e recomendo para os meus amigos e alunos baixistas, pois sei que agregará conhecimento e valor musical a eles!

Conheça o trabalho do Diego Randi:

http://www.youtube.com/diegobass21
http://www facebook.com/diegorandibass
http://www instagram.com/diego.randi

 

Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

    4 Comentários

  1. Tudo que o Diego falou aqui sobre o estudo da maneira certa funciona mesmo! Sou aluno dos seus Grupos VIP desde o começo de 2017. Isso tem mudado exponencialmente meu modo de tocar. Obrigado mestre Diego! Aproveito para agradecer ao Toque mais baixo por esta excelente entrevista.

    • dezembro 10, 2018

      Grande Ricardo Gabriel, muito obrigado pelas palavras e consideração – tamo junto!!
      Um abraço

  2. Lucio alves
    dezembro 3, 2018

    Entrevista muito boa,servi de inspiração pra quem realmente que chegar longe como baixista.Mais uma vez parabéns ao Tmbx por esta matéria.

    • dezembro 4, 2018

      Obrigado pelas palavras Lucio, estamos juntos nessa caminhada musical!
      Grande abraço

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