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FERNANDO MOLINARI – “É FUNDAMENTAL PARA O BAIXISTA SABER ACOMPANHAR E SER COADJUVANTE”

Consagrado nacional e internacionalmente, Fernando Molinari é considerado um virtuoso no contrabaixo, pois consegue viajar nos mais diversos estilos e dinâmicas, num ecletismo contagiante, sem perder a doçura. A história de Fernando se parece com a de muitos músicos que iniciaram em uma banda que não possuía baixista e foram “sorteados” para a vaga.

Apesar de “Fera” como profissional, Molinari é também “Monstro” em humildade e gentileza. Confira esse papo exclusivo e animado que tivemos para o nosso Blog.

TMBX: Conte-nos um pouco sobre sua história, onde nasceu, onde mora, etc.

Fernando Molinari: Sou nascido na cidade de São Paulo e mudei para São José dos Campos com 8 anos, cidade que moro até hoje.

 

TMBX: Como começou sua carreira na música e no contrabaixo?

FM: Comecei a tocar violão por volta dos 8 ou 9 anos de idade, em um grupo de estudos que meu irmão frequentava. Eram aulas gratuitas em um centro cultural da prefeitura.
Com uns 14 ou 15 anos, alguns amigos tinham uma banda que não tinha baixista (como sempre haha) e me candidatei a vaga. Na época, eu não tinha instrumento e nem tinha condições financeiras para comprar um, então, um amigo me emprestou um baixo de 6 cordas, que ficou comigo por um tempo, até conseguir ter meu primeiro instrumento, um bom tempo depois.

Fui tocando em bandas cover, estudando. Na época trabalhava em uma metalúrgica, para pagar meus estudos, equipamentos etc. Só fui começar a viver integralmente de música quando tinha 20 anos. Comecei a tocar na noite, dar aulas etc.

 

TMBX: Quais os principais trabalhos na área musical que fez e faz atualmente?

FM: Tive e tenho a felicidade de trabalhar com muita gente boa, como  Greg Howe- (USA), Bruno Valverde(Angra), Davi Filho, Adriano Moreira (Taiwan), Kit Tang (Hong Kong), Dor Levin (Israel), Project B (Japão), Rio Palmieri (Itália), Bjoernar Frantzen (Noruega), Inner Space (Canada), Ton silva (USA), Brunno Henrique (Noturnall) e muitos outros.

Também trabalho muito com gravações no meu homestudio, workshops, aulas, cursos online, além do meu trabalho solo.

 

 

 

 

 

 

 

 

TMBX: Quais suas maiores influências na música?

FM: Tenho muitas! Sempre escutei e escuto muita coisa diferente! Vou citar 5 bem diferentes para não me alongar muito haha
John Mclaughlin, Nico Assumpção, Matt Garrison, Jamiroquai e Pain of Salvation (Não exatamente nessa ordem haha)

TMBX: Como foi sua experiência na criação do curso de Slap, onde você ensina falando em inglês?

FM: Em 2017 recebi o convite de uma produtora italiana, que trabalha com grandes nomes como Federico Malaman, Andrew Gouche, Gergo Borlai e muitos outros, para gravar um curso e
fazer a distribuição mundial dele (por isso em inglês). Agora já está disponível em português também.

Meu primeiro curso foi sobre Slap, que é algo que acabei aprimorando bastante ao longo do tempo, pois sempre usei muito para compor e consequentemente, acabei desenvolvendo uma forma bem particular de aplicar. O processo foi bem natural, porque como já trabalho dando aulas há muito tempo, já tinha praticamente todo material pronto. Foi só roteirizar e gravar. Como tenho toda estrutura no meu homestudio, fiz todo processo de captação de áudio/vídeo e edição sozinho, além da diagramação de todo material escrito etc.

TMBX: O seu disco Built by Elements ganhou o Samsung E- Festival em 2017. Como foi o processo para concorrer ao prêmio?

FM:Eu já havia ouvido falar bastante sobre o festival, que provavelmente é o maior do Brasil. Foi a primeira vez que me inscrevi. Em 2016 lancei o álbum e no começo de 2017 fiz a inscrição com minha música “Tropical Rain”. Fui um dos 10 finalistas escolhidos pelos curadores dentre quase mil inscritos, e a final foi por voto popular. Foi algo muito especial em vários sentidos; primeiro por ser escolhido para final por uma curadoria tão respeitada dentre tantos inscritos, segundo por participar ao lado de outros projetos incríveis que tenho muito respeito e admiração e por fim, por ter recebido muitos votos e apoio do público que por tanto tempo fui construindo.

TMBX:  Você é um artista solo, mas é acompanhado por um time altamente técnico e profissional. Pode nos dizer como é sua experiência de trabalhar com esses caras, e qual a importância de ter um time bem alinhado?

FM:Como disse anteriormente, tenho muita felicidade em trabalhar com músicos e pessoas incríveis e no meu trabalho não poderia ser diferente! O trabalho tem o Davi Filho nas guitarras (várias parcerias em composições) e o Bruno Valverde na bateria. Eu e o Davi, tocamos juntos há 15 anos (metade de nossas vidas), já o Bruno, está no trabalho há 5 anos. Somos músicos com influencias e estilos bem diferentes, o que é algo que na minha opinião, agrega muito ao trabalho, pois sempre temos alternativas diferentes para arranjos, composições etc. Isso soma MUITO no resultado
final e principalmente, dá uma identidade única ao trabalho.

Acredito que não há melhor forma de evoluir, do que tocar com músicos de alto nível! Isso sempre nos mantém motivados e estimulados a sempre entregar nosso melhor e nos adaptarmos a linguagens diferentes.

 

TMBX: Que habilidades um bom baixista deve desenvolver?

FM:Primeiramente, para quem quer viver de música como baixista, é fundamental saber acompanhar! Claro que o baixo vai ter situações de protagonismo e basta o baixista direcionar sua carreira para isso, se acaso esse for seu desejo, mas para trabalhar, é muito importante saber conduzir. Queira ou não, essa é a primeira função do nosso instrumento e a maioria dos trabalhos vão ter essa
exigência! É como brinco com as pessoas: ninguém faz um bom papel de protagonista, se já não foi figurante, elenco de apoio e coadjuvante antes hahahaha!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TMBX: Quais ações empreendedoras você tem feito em sua carreira?

FM:Estou terminando a fase de composição de um novo EP do meu trabalho solo. Creio que no começo do ano que vem seja lançado. Além disso, estou criando outros cursos online, para diferentes plataformas, que provavelmente ainda esse ano já estejam disponíveis alguns módulos.

TMBX: Seu público é bem dividido entre Brasil e fora do Brasil. Como você administra as postagens?

FM: Tento postar em horários que sejam compatíveis entre Brasil e exterior, além de fazer todas postagens em inglês e português.

TMBX: Poderia nos contar um segredo? Qual o seu setup atual?

FM: Uso baixos Fbass, que são um custom shop canadense que sou patrocinado, tenho também patrocínio de dois grandes luthiers nacionais: ACS e S.Martyn. Além deles, tenho um Music Man Sterling USA. No total, atualmente tenho 9 baixos. Uso cordas DR, cabos Analysis Plus, caixas WBass, bateria eletrônica – SingularSound, acessórios GruvGear e efeitos Darkglass.

TMBX: Como você vê a iniciativa do site Toque Mais Baixo, que ensina contrabaixo online?
FM: Eu acho demais! Todos materiais são muito bem feitos! O Raphael faz um super trabalho, além de ser um cara nota mil!

 

Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

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