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REGINALDO COSTA – “MATURIDADE MUSICAL E EXPERIÊNCIA NÃO SE COMPRAM, SE VIVE”!

“QUEM QUER ARRUMA MEIOS, QUEM NÃO QUER ARRUMA DESCULPAS”.

Esta é uma reflexão que norteia sempre o desenvolvimento, não só na música, como na vida particular de Reginaldo Costa. Mais conhecido como NALDÃO, Professor de Contrabaixo do site musical CIFRACLUB, o nosso entrevistado afirma que é “impossível querer novidades fazendo as mesmas coisas”. Segundo o compositor, arranjador e produtor mineiro de Belo Horizonte, é importante tocar para a Música e não para você.

Nessa prosa, Naldão gentilmente nos conta, com muito bom humor, sua fantástica trajetória musical.

TMBX: COMO FOI A DESCOBERTA DA MÚSICA EM SUA VIDA?

NALDO: Meu gosto pela música começou através de um amigo, cuja família é muito musical. Éramos moleques e ele começou a estudar violão, para acompanhar o pai que toca viola lindamente. Um dia fui à casa desse amigo e o vi tocando, então pedi: ‘cara, me ensina a tocar violão?’ Foi uma paixão… O ritmo eu peguei rápido, a quebradeira era para mudar os acordes, e fazer as famosas pestanas (rsrsrs).

Como ia brincar constantemente na casa desse vizinho, aproveitava e pedia o violão dele emprestado. Um certo dia, ele notou um arranhão no instrumento e falou que não me emprestaria mais. Meu pai, observando de longe, fez algo extraordinário, pelo menos pra mim naquela época: meu deu um Violão Tonante de Aço. Foi demais!!

Nunca mais parei. Ele se tornou o primeiro investidor no meu talento, mesmo não sendo muito de dar apoio. Aquilo me fez seguir em frente, sempre com muita garra e perseverança.

Mas minha carreira começou mesmo quando fui tocar pandeiro de meia lua, num grupo de adolescentes da igreja. Um dia, esse mesmo amigo do episódio do violão, foi acompanhar um grupo mais experiente e disseram pra ele: ‘chama aquele seu amigo pra tocar pandeiro pra gente, ele manda bem (rsrsrs)’. Logo começaram a se desenvolver em mim o ouvido musical e o lado autoral.

TMBX: COMO COMEÇOU NO CONTRABAIXO?

NALDO: Logo depois, apareceu na igreja o Maxsoel, saxofonista da Polícia Militar, que começou a ministrar aulas de Música e Teoria Musical. Numas dessas aulas, ele perguntou para o meu melhor amigo que instrumento ele gostaria de tocar; a resposta dele foi a guitarra. Quando o professor perguntou pra mim, pensei ‘ferrou!! Não vou pedir guitarra pra não dá briga com o colega’; então perguntei: ‘que instrumento é esse outro aí? (rsrsrs). Assim fui estudar contrabaixo. Maxsoel me

ensinou quatro notas e pronto: as aulas pararam, mas eu segui adiante. Comecei a me virar sozinho, até que o contrabaixo Giannini (tão torto, que o braço dava pra pendurar roupa) sumiu.

Arranjei um baixo velho emprestado, mas o captador soltava, repetidamente parava e só voltava a funcionar depois de vários socos. Consegui comprar um Yamaha 04 cordas e iniciamos uma banda de música gospel. Depois, adquiri um Aria Pro de 05 cordas, e demos início aos trabalhos com canções autorais.

Mas estudar contrabaixo de verdade foi só na Pro Music, com o Mestre Paulinho. Fiz um mês de aula no fim de ano, e não voltei mais. Estudei sozinho aquela apostila enorme, e fui entendendo as escalas, acordes e sua formação, e leitura aos poucos. O grupo cresceu bastante, ao ponto de sermos reconhecidos como a melhor banda da região. Fazíamos cover do Novo Som, Oficina G3, Katsbarneia, Resgate, Koynonia e outros. Gravamos um EP com três músicas autorais, mas objetivos diferentes fizeram a banda dar um tempo. Amei tanto aquele trabalho, que tinha um

sonho em minha mente, e não desistiria dele… viver de música dignamente.

TMBX: QUAIS TRABALHOS PROFISSIONAIS VOCÊ TEM FEITO DESDE ENTÃO?

NALDO: Comecei a tocar na noite, por toda região de Minas Gerais, na grande Banda de Baile GR3, em eventos diversos. Daí foram surgindo oportunidades. Banda de Black Music, cantora Cindra e Banda Rei Soul, Ricardo Novais e o Grupo Amaranto, Mariana Nunes, Pedro Morais. Depois, tive a chance de tocar com o grande Gerson King Kombo. Trabalhar com o artista Lucas Avelar também me abriu muitas portas.

Um grande privilégio foi tocar com Carla Villar e o guitarrista/violonista Toninho Horta. Até hoje, me lembro dele falar comigo num ensaio: ‘Caramba, Reginaldo, de onde eu te conheço??? Já tocamos juntos???’. Eu quase chorei e disse pra ele: ‘quem me dera, Toninho…é a primeira vez…’ aquilo pra mim foi um grande elogio!!

Tive experiências fantásticas tocando na Orquestra Minas Tênis, Banda Velotrol (clássicos do Rock’n’Roll), Elisa Paraíso, Carla Gomes (lançamento do Disco produzido pelo Liminha) e outras bandas de rock do circuito mineiro. Na área de música cristã, acompanhei nomes como Asaph Borba, Sóstenes Mendes, Isabel Coimbra (Ministério Diante do Trono) Silvério Peres, Vinícius Melo (ex Jó 42) e outros.

Nesse processo, dirigi vários trabalhos como produtor musical, participando de gravações de vários artistas. A Combo Jazz Band foi o quarteto onde tocávamos standards de jazz, através da qual ministrei workshops. No repertório, além de jazz, tocávamos bossa, fusion e outros estilos ligados ao gênero. Era um trampo que tinha muito prazer em fazer.

TMBX: PODERIA NOS CONTAR UM POUCO SOBRE SUA EXPERIÊNCIA COMO PROFESSOR?

NALDO: Leciono há mais de 15 anos. Passei por muitas escolas daqui de Belo Horizonte. Ser professor é ser facilitador…essa é uma grande frase que me fez repensar a profissão… Quanto mais ensinamos, mais aprendemos. E como crescemos, né? Ensinar não é pra qualquer um: tem que ter paciência, sobrepor todas as objeções e dificuldades do aluno. E o mais importante: ajudá-lo a desenvolver sua arte. As aulas online são muito massa; aproximam professores e alunos que estão longe, e isso é muito legal!! Ensinar um cara de outro estado, e até mesmo de outro país, é demais.

Objetivo e organização torna-se essencial para ministrar aulas à distância. Exige muita didática e planejamento.

Já na aula presencial, temos os mesmos parâmetros, mas tende a ser mais “relax”, mais à vontade, pois temos o contato pessoal, olho no olho. Às vezes uma pergunta pode mudar toda a aula.

Através do CIFRACLUB, passei a ensinar milhares de alunos. É muito gratificante saber que, junto a essa grande empresa do segmento musical, temos feito história levando arte, música e conhecimento. Que legal quando recebo milhares de mensagens todos os dias, do Brasil inteiro e do mundo afora! Engraçado quando recebo elogios de músicos profissionais que, num trabalho para tirar tal música, usaram a vídeo aula que fiz para ajudar a resolver o trampo do cara (rsrsrs). Fico muito feliz em trabalhar com música na área didática, e poder ajudar as pessoas.

TMBX: QUAIS CONSELHOS OU DICAS VOCÊ DARIA PRA GALERA QUE ESTÁ TRILHANDO O MUNDO DOS GROOVES?

NALDO: DISCIPLINA, FOCO E ATITUDE! Estudar Harmonia, sem dúvida, tem muita importância. Claro que se deve adquirir a técnica no instrumento; mas você precisa entender como pensar, pra depois executar. Não estudar só o próprio instrumento em si. Depois de alcançar experiência, estude peças para outros instrumentos, tire solos de Sax (Coltraine) de Guitarra, de Trompete (Miles Davis) e por aí vai. Busque métrica e concepções musicais diferentes do que seu instrumento possa

proporcionar, depois aplique no Contrabaixo. Isto vai te aperfeiçoar num diferencial que outro baixista talvez não tenha. Copiar solos de outros baixistas pode ser muito massa, mas é importante desenvolver sua própria identidade musical.

E pra fechar, depois de dez anos já vivendo de música, consegui reaver aquele Gianinne Fiber Bass, que sumiu. Estava jogado numa serralheria. Foi reformado, e está aqui na minha frente, funcionando. Até já gravei vídeo com ele no meu canal. Dá pra imaginar quanto isso vale sentimentalmente?? Faz parte da minha história, o primeiro contrabaixo que toquei na minha vida. Hoje sou um profissional e vivo das 04 cordas!! Sem dúvida é muita emoção o valor desse baixo: não tem preço!!

No mais, lembre-se: Execução, linguagem de estilo e equilíbrio devem ser a dominante em sua mente. O Groove não pode parar. Preparo + oportunidade = SUCESSO. Não pule etapas, pois a maturidade musical vem com o tempo e a experiência não se compra, se vive.

 

Vilma Souza

Aluna e Colaboradora do ToqueMaisBaixo

Baixista, criador do ToqueMaisBaixo e empreendedor musical.

    1 Comentário

  1. vilma
    setembro 18, 2018

    TOP!!!

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